A border collie, usada como cão de pastoreio, é considerada a raça canina mais inteligente do mundo.

É no cérebro que se abrigam as capacidades herdadas e gravadas, base da formação mental do cão, que mostram comportamentos e habilidades potenciais deste animal. A chamada inteligência canina é dividida em três habilidades mentais baseadas em instinto: aprendizagem, resolução de problemas e inteligência comunicativa. Dos lobos, os cães herdaram a chamada flexibilidade mental, que significa a capacidade de aprender com as experiências que os ajudam a adaptarem-se ou a modificarem o ambiente para que se torne um lugar melhor para viverem. Instintivamente cautelosos e desconfiados, aprendem também em quem confiar e quem devem evitar. Para solucionarem um problema, o cérebro funciona com rapidez de construção com o menor número possível de falsos inícios. Essa combinação constitui sua capacidade de resolução, em geral deficiente nos cães, e na qual o border collie se destaca, enquanto cão de pastoreio.


A inteligência comunicativa é a conhecida obediência ou inteligência de trabalho. Ainda que seja bom nas outras duas habilidades, precisa entender o que os comandos do ser humano e os outros cães dizem, para perceber instintivamente a hierarquia da matilha, comunicando-se através da linguagem corporal e do cheiro. O labrador retriever é um exemplar excelente em inteligência comunicativa enquanto cão de tiro, devido a sua persistência em se concentrar.


Os cães possuem ainda o instinto natural de saberem o que devem ou não comer. Quando mastigam grama, significa por exemplo, que estão adicionando fibra à alimentação. Para compreenderem relações, possuem uma habilidade hereditária que lhes permite perceber a hierarquia e reforçar a ordem, o mesmo sendo aplicado na hora de interpretar a postura de outro animal ou do ser humano. Os caninos possuem também a habilidade de se localizarem, traçando mapas mentais de grandes territórios. Todavia, muitos vivem restritivamente ao lar e não desenvolvem esta capacidade, terminando então com um ruim senso de direção. Estes animais ainda são capazes de julgar movimentos e forças, como a aproximação de uma onda na praia. Resumindo, a inteligência canina é utilizada pelo ser humano para desenvolver e utilizar de suas habilidades mais destacadas, ao passo que serve ainda para o melhor convívio entre os de sua espécie.

Equilibrar um canino através do adestramento, feito por repetição de comandos e atividades, é fundamental para a boa relação entre duas espécies tão distintas: cão e ser humano.
Seu temperamento é variado de cão para cão, ainda que uma dada raça seja padronizada no papel a ter um determinado tipo de comportamento, como o companheirismo do poodle. No entanto, não há neles uma característica presente no ser humano: o racismo por julgamento. Apesar de demonstrar aversão a determinado grupo de pessoas, os motivos são nunca ter tido contato com tais pessoas, ter dono inseguro a dado grupo e o estímulo à desconfiança canina para um determinado grupo. Outra marcante característica do comportamento canino é a coprofagia. As razões variam de deficiência metabólica ou doença à motivos meramente comportamentais, como as cadelas que comem as fezes de seus filhotes, para manter o canto deles limpo. Os tratamentos para este comportamento, além de imprecisos, são controversos. Sabidamente um animal social, é afetado também pela chamada "mentalidade de massa", através da qual é estimulado ou simplesmente consegue fazer algo que sozinho não faria, como o ganho da confiança para encarar ameaças maiores. Em contrapartida, este comportamento pode também ser negativo, estimulado por maus hábitos, como latir excessivamente ou avançar.


Se você quer saber se um cachorro é seu, deixe-o ir... se ele voltar, é seu.

-Ditado indígena


Para o bom relacionamento homem e canino existe um ato fundamental, o adestramento, já que os cães são seres vivos que sentem, têm necessidades, possuem sentimentos e emoções, e este exercício constante lhes dá segurança e equilíbrio. Durante o processo, o dono dita, o cão obedece e acostuma-se com bons atos. Um canino que nunca aprendeu a sentar ou ficar, pode fugir ou correr na direção do perigo. Para um adestramento ser bem sucedido, o homem precisa entender o potencial e as limitações do animal e ensina-lo o respeito através das atividades. Em geral, todos os cães são capazes de aprenderem os comandos básicos para manterem um bom equilíbrio na relação, mais especificamente quando feitos por meio das brincadeiras, já que tanto o homem quanto o canino são animais neotênicos. É através das atividades que ele aprende, se socializa, desenvolve-se, se exercita e supre suas necessidades de gasto energético. Em suma, no relacionamento homem e animal, é o adestramento que dá uma boa base, norteia uma relação equilibrada destas espécies tão distintas, direciona e mostra as maiores habilidades de dadas raças. Em contrapartida, é primordial saber adestrar um cão, com as palavras certas e os métodos corretos - cujas linhas ainda não estão totalmente traçadas pelos profissionais - a fim de evitar traumas e inseguranças.